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Pós-Graduação Linhas de Pesquisa O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar tem como Área de Concentração o estudo da ESTRUTURA E GÊNESE DO CONCEITO DE SUBJETIVIDADE. Essa área divide-se, por sua vez, em quatro linhas de pesquisa:
Linha de pesquisa 1 A gênese do conceito de subjetividade nas filosofias moderna e contemporânea A Linha de Pesquisa 1 visa percorrer as transformações pelas quais passa o conceito de subjetividade que comandam o destino da filosofia moderna desde seu nascimento no século XVII, com Descartes, até a reflexão contemporânea. Não se trata apenas de uma história da compreensão do que Descartes chamava Prima Philosophia (ou seja, o fundamento gnosiológico da metafísica), mas também da nova Antropologia que nasce junto com o racionalismo, onde a idéia clássica de paixão cede lugar àquela de sentimento, dando lugar a uma nova concepção do sujeito da experiência estética. Uma Antropologia que visa, sobretudo, de maneira nova a idéia de ação e reformula a concepção do sujeito em suas dimensões jurídica e política, bem como as correlatas estratégias ou formas de legitimação. Esta linha se divide em dois registros interligados: 1 – História da Filosofia Moderna Trata-se aqui de descrever o arco percorrido pela idéia de sujeito, da instauração do cogito à idéia da “substância sujeito” do idealismo alemão, passando pela versão empirista da subjetividade e pela revolução da filosofia crítica de Kant. Menos do que o desenho panorâmico desse arco, o alvo são os momentos críticos visados em estudos monográficos, em que os conceitos básicos são reformulados. Tais momentos de redefinição conceitual são visados em dois registros diferentes, o da vida cognitiva e o da vida afetiva ou passional: o sujeito como sujeito, ao mesmo tempo, de conhecimento e de sentimento. 2 – História da Filosofia Contemporânea Neste tópico focaliza-se o processo de desconstrução e reconstrução do sujeito, desde a redução do cogito a uma ilusão gramatical (Nietzsche) até a hermenêutica diltheyana. Atenção especial será concedida, nas pesquisas, ao destino do cogito ou do sujeito transcendental nas obras de Bergson, Husserl, Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty, Wittgenstein, Ryle e Strawson. Docentes: Bento Prado Neto, Débora Morato Pinto, Fernão de Oliveira Salles dos Santos Cruz, José Eduardo Baioni, Luís Fernandes dos Santos Nascimento, Paulo Licht dos Santos, Silene Torres Marques, Thelma Lessa da Fonseca 3 – Gênese do Sujeito Ético e Político A mesma linha de pesquisa privilegia o estudo dos grandes problemas da filosofia moral e política das épocas moderna e contemporânea, referidas no seu contexto histórico e intelectual. À pesquisa filosófica caberá situar criticamente neste contexto a abordagem de questões relevantes da atualidade, tais como os problemas da técnica e da cultura, da comunicação e da linguagem, do indivíduo e da sociedade, da ação na esfera social e político-jurídica. A chamada Escola de Frankfurt se forma no debate da teoria crítica com a orientação fenomenológica e a orientação pragmática. Sua gênese e suas vertentes se constituem em temática privilegiada para enfocar os aspectos atuais da ética e da filosofia política, sobretudo no referente ao debate da fundamentação e da imanência da questão dos valores e da apreensão das relações de determinação recíproca entre indivíduo e sociedade na formação social contemporânea. Linha de pesquisa 2 A circunscrição conceitual da subjetividade na psicologia, na psicanálise e nas ciências cognitivas Esta linha de pesquisa complementa a anterior ao visar a questão do sujeito de forma sincrônica ou epistemológica. Embora não ignore a História das Teorias psicológicas, assume uma atitude essencialmente crítica ou epistemológica. Ela divide-se em três registros solidários uns aos outros: 1 – Epistemologia da Psicanálise A epistemologia da Psicanálise tem seu domínio de escolha na discussão do estatuto da Metapsicologia ou da Teoria Freudiana do Aparelho Psíquico. Nesse item de nossa pesquisa pretendemos, ao mesmo tempo, delimitar a originalidade da Metapsicologia freudiana e ponderar seus efeitos no debate contemporâneo que envolve as tradições da filosofia analítica, dialética e fenomenológica sobre o estatuto de noções cruciais como as de subjetividade e significação. 2 – Filosofia da Mente e Ciência Cognitiva Neste item, nossa pesquisa concentra-se no impacto filosófico da Ciência Cognitiva, da Inteligência Artificial e das Neurociências nas questões tradicionais da Filosofia da Mente. Nesse âmbito destaca-se como objetivo privilegiado de estudo a discussão das implicações filosóficas do modelo computacional da mente e a reavaliação de problemas filosóficos tais como: as relações entre mente e cérebro, a natureza das representações mentais e da consciência à luz das contribuições recentes da Ciência Cognitiva, da Inteligência Artificial e das Neurociências. 3 – Epistemologia e História da Psicologia Paralelamente à reflexão sobre a metapsicologia e os modelos computacionais da mente, a pesquisa passa pela discussão e crítica dos conceitos que norteiam teorias psicológicas contemporâneas, tais como o behaviorismo, a teoria piagetiana e a Gestalttheorie. Retomamos aqui, no nível das teorias psicológicas os temas clássicos da filosofia, cruzando-os com os temas das contemporâneas filosofias da mente e da linguagem. Docentes: Débora Morato Pinto, João Fernandes Teixeira, José Antônio Damásio Abib, Júlio César Coelho de Rose, Luis Roberto Monzani, Richard Simanke e Saulo de Freitas Araujo Linguagem, sujeito e representaçãoEsta linha de pesquisa insere-se no quadro do estudo da estrutura e gênese do conceito de subjetividade privilegiando o estudo das relações entre subjetividade, representação e linguagem. A associação entre esses conceitos nada tem de natural ou imediato, porque se costuma contrapor uma filosofia da linguagem a uma filosofia da consciência. À contra corrente dessa oposição tradicional, esta linha de pesquisa pretende explorar, ao longo da História da Filosofia, as afinidades entre linguagem e sujeito, tendo como pano de fundo a questão da representação. Esta linha se divide em quatro registros interligados: 1 – Filosofia Antiga Questões relativas à linguagem são formuladas e discutidas na Filosofia Antiga desde os pré-socráticos. Pretende-se investigar, nesse âmbito, tanto o vínculo entre linguagem, ontologia e conhecimento na Antiguidade quanto a relação que a linguagem possui com a gênese da questão da subjetividade. Considera-se que a subjetividade não é um tema que se enquadra na Filosofia Grega. No entanto, isto não significa dizer que a preocupação com a subjetividade tenha surgido com a filosofia moderna. Esta é uma das questões internas do platonismo, mesmo que Platão não a tenha reconhecido como questão. E, mesmo antes de Platão, podemos ver em Protágoras uma primeira incursão no tema da subjetividade a partir da relação entre os conceitos de homem-medida e de maioria. 2 – Filosofia Medieval Trata-se de investigar algumas das características próprias ao assim chamado “nominalismo medieval” do século XIII a partir da consideração das implicações provenientes da proposta da existência de uma linguagem mental, tendo como principal ponto de partida a discussão apresentada por Guilherme de Ockham em que são reunidas as perspectivas da lógica e do conhecimento. Em cena estão a formulação de uma nova teoria do conhecimento, através da proposta da teoria das notitiae intuitiva e abstrativa, e uma nova compreensão da importância e do papel da lógica. Trata-se de verificar qual a extensão da contribuição da tópica da aplicação da teoria dos signos na análise e compreensão da própria constituição dos conceitos, que passam a ser tomados como “termos mentais”, naquilo que Lima Vaz descreve como sendo a substituição definitiva da doutrina aristotélica do subiectum scientiae, fundada sobre a pressuposição da relação imediata da inteligência com o ser, pela concepção de um obiectum scientiae, que assinala o triunfo, no domínio da Metafísica, da representação sobre o ser ou do esse objectivum sobre o esse in re que prevalece em toda a filosofia moderna. 3 – Filosofia Moderna O fio condutor, aqui, pode ser obtido pelo acompanhamento, ao longo da tradição do empirismo britânico, das relações entre os conceitos de “idéia” e de “idéia geral” (ou de abstração). De fato, de Locke a Hume, para nos atermos aos dois filósofos, embora o vocabulário do “new way of ideas” seja preservado, o sentido que assume em cada um desses autores muda fortemente. Um ponto privilegiado para esclarecer essas alterações conceituais reside no tratamento que cada um deles oferece à questão da “representação geral”. É verdade, contudo, que nem sempre esse tema assume a forma de um vínculo explícito entre representação e linguagem (como no caso do Tratado de Berkeley); mas esse fio condutor se prende, de um lado, ao nominalismo medieval e, de outro, tanto ao positivismo lógico (que por vezes se descreve a si mesmo como a realização de um progresso na linha dessa tradição) quanto a outras reflexões contemporâneas sobre a linguagem (que se pense, por exemplo, no ar de família que pode ser vislumbrado nas páginas do Tratado de Hume e certas passagens das Investigações de Wittgenstein). Esse eixo central de pesquisa – com um olho na história da filosofia moderna e o outro na questão propriamente temática das relações entre subjetividade e linguagem – articula-se com outros estudos, como, por exemplo, o tema das relações entre representação e lógica em Leibniz e em Kant, ou, por fim, o tema da relação entre subjetividade e retórica em Rousseau. 4 – Filosofia Contemporânea A filosofia da linguagem contemporânea pode ser dividida em duas áreas, caracterizadas por temas referentes à semântica e à pragmática. A primeira inclui questões sobre a origem e a determinação de sentido de palavras e sentenças de linguagens naturais, sobre tipos de sentença e suas condições de significado, sobre a verdade e falsidade, sobre os requisitos de linguagens científicas e a possibilidade de linguagens (logicamente) perfeitas, e, por fim, sobre as relações entre o sujeito (pensamentos), palavras e as coisas. A segunda área engloba questões referentes aos diversos usos da linguagem cotidiana, às regras que governam estes usos e à determinação do sentido de palavras e sentenças por seus contextos, sempre contra o pano de fundo de uma crítica da tese das relações privilegiadas entre subjetividade e linguagem. Docentes: Bento Prado Neto, Carlos Eduardo de Oliveira, Eliane Christina de Souza, José Eduardo Baioni, Luis Roberto Monzani, Mark Julian Richter Cass, Marisa Lopes, Paulo R. Licht dos Santos, Fernão dos Santos Cruz 5 – Estética Trata-se aqui de analisar o amplo espectro de questões e conceitos relacionados à reflexão filosófica sobre o belo e os distintos modos de expressão e de produção do belo. Que significa afirmar que certa coisa é bela e o que é requerido para que se chegue a tal conclusão? A beleza é atributo dos objetos ou antes revela algo próprio do sujeito que os contempla e os julga como sendo belos? É possível estabelecer regras claras e exatas para determinação do juízo sobre o belo (e chegarmos a uma espécie de “ciência do belo”)? Se o sujeito que julga e observa não se limita à mera contemplação, como entender a atividade que cria produtos que são julgados como belos ou como feios? Não estaríamos aqui diante de um território que se aproxima de outro domínio do espírito humano: o prático ou moral? Assim, a Estética não apenas circunscreve um número de temas próprios aparentados, mas também constitui uma abertura para pensar, a exemplo de Kant, a relação entre o ato de representar e as regras específicas do julgamento, por um lado, e os objetos representados e a própria produção da obra de arte, por outro. Se tal gênero de questão se encontra fortemente ligada ao pensamento moderno e ao Século das Luzes (época em que surge o termo “estética” no sentido hoje difundido), a preocupação filosófica e a sistematização de assuntos que dizem respeito ao exame da beleza remontam à Antiguidade clássica e são retomados por diversas correntes da filosofia contemporânea (das quais Schopenhuaer, Nietzsche, Merleau-Ponty e Adorno são alguns dos mais célebres exemplos). Docentes: Luís Fernandes dos Santos Nascimento, Silene Torres Marques, Thelma Silveira da Mota Lessa da Fonseca, Paulo R. Licht dos Santos. Linha de pesquisa 4 Ética e Filosofia PolíticaO principal objetivo dessa linha de pesquisa reside em reconhecer e delimitar as questões de ética e de política como problemas da História da Filosofia. Para isso, os autores clássicos constituem-se em referenciais teóricos tanto na busca de uma fundamentação ontológica dos valores morais e do direito, quanto na expectativa de justificação racional da ação prática e do Estado de Direito, ainda que fundadas na noção de sujeito. Pretende-se, assim, delimitar as preocupações de ordem ético-política do pensamento clássico, evidenciando a sua presença nas diferentes vertentes interpretativas da filosofia política moderna e contemporânea, bem como explorar os aspectos atuais da moral e da filosofia política, como a relação entre teoria e prática e a questão da crítica das ciências humanas. Docentes: Carlos Eduardo de Oliveira, Luis Roberto Monazani, Marisa Lopes, Paulo Licht dos Santos, Silene Torres Marques, Thelma Silveira da Mota Lessa da Fonseca, Wolfgang Leo Maar
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